O que faz o Ubuntu diferente do Debian.

Neste ano, o Ubuntu celebrou 10 anos de vida, desde que foi lançado, em 2004.
Muitos sabem que ele é baseado em outra grande e excelente distro Linux: a Debian.
A década deste sistema operacional que começou com o apelido Utopic Unicorn, imprimiu algumas importantes mudanças na sua experiência com os usuários.

O processo de instalação do Ubuntu

Este foi um dos principais (longe de ser o único) diferenciais nas primeiras versões.
Tudo o que a Canonical desejava era oferecer um processo de instalação mais fácil aos seus usuários e clientes.
Hoje, até mesmo o Debian está mais fácil de instalar do que àquela época — mesmo em modo texto.
A minha opinião pessoal, contudo, é de que nada supera o netinstall do Debian — mesmo em modo texto.
Uma vez instalado, o Ubuntu mostrava um tema em tom marrom e não era muito mais do que uma réplica do Debian.

A popularidade do Ubuntu

Neste período, não só a popularidade do Ubuntu subiu, como a do Debian também.
Embora muitos usuários Debian tenham migrado para Ubuntu, também houve o fluxo contrário — houve pessoas (e ainda há) que decidiram experimentar e conhecer o Debian. Destes últimos, muitos não se arrependeram.
À época do lançamento do Ubuntu, a distro mais popular era o Mandrake, hoje chamada Mandriva — fruto da fusão ente 2 grandes distribuições: Mandrake (francesa) e Conectiva (brasileira).
O instalador gráfico do Ubuntu se aperfeiçoou e o próprio ambiente de trabalho incorporou recursos gráficos mais atraentes aos novatos.
O Ubuntu já teve um foco maior em usuários Windows, chegando a ter um software chamado Wubi, que permitia instalar a distro em modo dual-boot — e era integrado ao sistema operacional de Redmond.
A versão de Junho de 2006 trouxe o compromisso de suporte prolongado — Long Term Support ou LTS.
As distro LTS desobrigavam os usuários a usar novas versões a cada 6 meses, uma vez que ofereciam maior estabilidade, junto com o suporte, por mais tempo.
Atualmente, as versões LTS, trazem suporte de 5 anos aos usuários — o que as torna indicadas para ambientes corporativos, usuários que precisam de estabilidade etc.
As versões intermediárias são voltadas a quem prefere novidades.
O novo visual do Ubuntu 10.04 distanciou-o significativamente do Debian e trouxe o Ubuntu Software Center pro centro das atenções.

As PPAs

Além dos repositórios oficiais, o Ubuntu introduziu a possibilidade de usuários oferecerem repositórios pessoais a outros usuários, de onde poderiam baixar e instalar seus pacotes de programas — as PPAs ou Personal Package Archives.
Isto foi um grande incentivo para desenvolvedores independentes.
Quando algum aplicativo ou pacote se torna muito popular, é comum a Canonical integrar sua versão mais estável ao seu repositório oficial.
O Ubuntu 11.04, trouxe o Unity pros palcos, com o objetivo de adaptar gradativamente o sistema a novos hardwares, como tabletes, phablets, smartphones netbooks etc.
Esta mudança foi grande e gerou debates inflamados — alguns contra, outros a favor.

O coração ainda é Debian

Mesmo com tantas diferenças visuais e, por que não dizer, filosóficas — algumas coisas não mudaram. O Ubuntu é Debian, por dentro.
Muitos dos pacotes disponíveis para baixar, instalar e rodar no Ubuntu, são oriundos dos repositórios instáveis do Debian.
A metodologia de instalação e gestão de softwares continua a mesma entre as duas distribuições.
Só mesmo a interface com o usuário é que é dramaticamente diferente entre as duas.
Fica, aqui a sugestão para experimentar o Debian, se você for usuário do Ubuntu e vice-versa.

Elias Praciano — http://elias.praciano.com.